Gestão da regulação é principal entrave da saúde na Bahia, afirma Heraldo Rocha
Gestão da regulação é principal entrave da saúde na Bahia, afirma Heraldo Rocha
Mesmo após sucessivos investimentos na ampliação da rede hospitalar da Bahia, a fila da regulação continua sendo um dos principais gargalos da saúde pública no estado. Para o médico e ex-deputado estadual Heraldo Rocha, o problema não está na Central Estadual de Regulação em si, mas na forma como o sistema vem sendo administrado. Em entrevista à Tribuna, ele afirmou que a falta de planejamento, a centralização das decisões em Salvador e a demora na liberação dos leitos hospitalares mantêm milhares de pacientes à espera de atendimento especializado.
"O problema não é da Central de Regulação. A regulação é uma solução. Quem cria o problema é a gestão da Central Estadual de Regulação", afirmou.
Na avaliação de Heraldo, um dos principais equívocos foi concentrar praticamente toda a gestão da regulação na capital, retirando a autonomia de polos regionais capazes de resolver boa parte das demandas sem necessidade de deslocamento para Salvador. "Eles acumularam tudo na capital e acabaram com as centrais regionais. Municípios como Valença, Itapetinga, Vitória da Conquista e Itabuna deveriam ter centrais regionais de regulação", disse.
Para o médico, a descentralização reduziria o tempo de espera por vagas, evitaria a sobrecarga sobre Salvador e permitiria uma distribuição mais eficiente dos pacientes dentro da própria rede estadual.
Tempo - Outro fator apontado por Heraldo Rocha como responsável pelo aumento da fila da regulação é o elevado tempo de permanência dos pacientes internados. Conforme explicou, procedimentos considerados relativamente simples acabam sendo realizados apenas vários dias após a internação, fazendo com que os leitos permaneçam ocupados por muito mais tempo do que o necessário. "Você pode construir um hospital todo dia que não vai ter leito, porque ele vai estar ocupado", afirmou.
Para ilustrar o problema, o médico citou o caso de pacientes com cálculo renal atendidos no Hospital Geral Roberto Santos. "Tenho pacientes que chegam com cólica renal e permanecem dez dias internados aguardando uma cirurgia. Enquanto isso, continuam ocupando um leito que poderia estar recebendo outro paciente da regulação", disse.
Essa demora, conforme Heraldo, cria um efeito cascata em toda a rede hospitalar, impedindo novas internações e aumentando continuamente a fila de espera. Ele ressalta que os pacientes mais prejudicados por essa situação são aqueles que dependem de atendimento rápido para evitar sequelas ou agravamento do quadro clínico.
"Os pacientes oncológicos, cardiovasculares e ortopédicos são os que mais sofrem. Um paciente com fratura exposta chega a passar quinze dias aguardando transferência em um hospital do interior. Assim não há sistema que consiga zerar a fila da regulação", declarou.
Na avaliação do ex-deputado, o problema não será resolvido apenas com a abertura de novos hospitais ou ampliação do número de leitos. "Você pode aumentar a estrutura física, mas se o paciente permanece internado além do tempo necessário, o leito não gira. O problema continua", acrescentou.
Fonte Tribuna da Bahia
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