Michelle supera caso Jaques Wagner em quase sete vezes nas redes
Michelle supera caso Jaques Wagner em quase sete vezes nas redes
O vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tornou público o desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dominou o debate político nas redes sociais e alcançou quase sete vezes mais engajamento do que as publicações sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e sua citação nas investigações envolvendo o Banco Master. Os dados constam em relatório divulgado ontem pelo Instituto Democracia em Xeque (DX), que analisou a repercussão dos dois episódios ao longo da última semana.
De acordo com o levantamento, os dois principais campos da disputa presidencial de 2026 enfrentaram desgastes provocados por personagens de suas próprias bases políticas. No grupo governista, Wagner deixou a liderança do governo no Senado na quarta-feira, após ter o nome citado na Operação Compliance Zero. Já no campo bolsonarista, Michelle levou para as redes sociais um conflito com o enteado Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para a sucessão presidencial.
O estudo aponta que as publicações relacionadas à mulher de Jair Bolsonaro acumularam aproximadamente 1,4 milhão de interações, enquanto os conteúdos sobre o petista baiano registraram cerca de 214 mil. A diferença também foi observada no volume de menções: foram 91,6 mil postagens sobre a ex-primeira-dama, contra 29,3 mil referentes ao senador baiano.
Segundo os pesquisadores do Democracia em Xeque, a discrepância na recepção dos dois episódios por suas respectivas audiências provocou uma rápida mudança na agenda pública digital. Até o fim da tarde de 24 de junho, o caso envolvendo Wagner concentrava grande parte das discussões políticas nas plataformas, impulsionado principalmente pelo anúncio de seu afastamento da liderança do governo no Senado.
No entanto, a divulgação do vídeo por Michelle alterou o cenário em poucas horas. Entre a noite do dia 24 e a manhã seguinte, a ex-primeira-dama respondeu por 76% de todas as menções que faziam referência aos dois personagens analisados pelo instituto, reduzindo significativamente o espaço dedicado aos desdobramentos da investigação sobre o Banco Master e às repercussões políticas enfrentadas por Wagner.
Na avaliação do DX, ambos os episódios produziram desgaste para seus respectivos campos políticos, mas tiveram dinâmicas distintas. O caso de Jaques Wagner estimulou debates sobre a investigação, as suspeitas relacionadas ao Banco Master e os efeitos de sua saída da liderança governista. Já a manifestação pública de Michelle ampliou as discussões sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, a disputa por influência dentro do bolsonarismo e divergências no PL em torno da aliança com o ex-ministro Ciro Gomes no Ceará. Para o instituto, Michelle “impôs a sua pauta”, promovendo uma “troca brusca nas pautas do debate público” nas redes sociais.
Fonte tribuna da Bahia
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